7 de set de 2015

Dirty Love Game, Capítulo 2: Vingança

I'm gonna love you, until you hate me. And I'm gonna show you, what's really crazy
Terça, mas não qualquer terça. Hoje é feriado. E para meu azar, todos os meus amigos estão ou viajando, ou já tinham compromissos marcados, o que acabou me deixando sozinho. Bem, não faz mal, tenho que aproveitar o resto do dia para esfriar minha cabeça, afinal passei praticamente o tempo todo estudando. O relógio da cozinha marcava seis horas da tarde. Coloquei uma roupa qualquer e fui para a garagem, peguei meu carro e dirigi até o cinema. Hoje estreava Deadpool, e sinceramente quero muito ver desde o ano passado, quando fiquei sabendo que iriam produzir uma versão cinematográfica do HQ. Comprei o ingresso, poltrona do meio na última fileira, como de costume. Estava prestes a começar, mas me recuso a ver um filme sem pipoca. Comprei um balde pequeno de pipoca caramelada e uma garrafa de água sem gás. Entrei no cinema e me sentei no lugar reservado. As propagandas já estavam na tela, e o cinema estava praticamente lotado, apenas as poltronas ao meu lado e algumas entre as três fileiras estavam desocupadas, fora isso só uma que outra no meio, mas com gente ao lado. Para a minha surpresa, enquanto as luzes apagavam, um homem sentou ao meu lado. Tentei olhar para ele de canto de olho, para ver se o conhecia. O rosto era bonito, fino, pele clara, olhos razoavelmente grandes, cabelo bem cuidado, e por cima estava bem arrumado.
Quando o olhei, ele acabou reparando e soltando uma risada curta. Meu corpo estremeceu. Eu conhecia essa voz, não acredito, Yoshito! Se bem que não é minha culpa, foi instinto, ele sempre foi bonito. Espera, o que? Foco Ken! Não se deixe levar! Tentei disfarçar os olhares, mesmo que meu rosto estivesse um pouco corado, por uma mistura de raiva e vergonha.
-O que foi, veio me seguir? -Disse, com uma risada sarcástica.
-Não seja tão exibido. Você sabe que eu gosto de quadrinhos. Como poderia perder o filme do Deadpool? Não pensei na possibilidade de você estar aqui. -Os seus olhos desviaram, e seu rosto ficou um pouco vermelho. Ele estava mentindo.
-Vai confessa. -Quando disse isso, ele suspirou. Sabia que estava mentindo!
-Eu vi você comprando os ingressos. Mas eu ia ver o filme, só que queria sentar do seu lado. -Agora sim ele estava falando a verdade. Então ele tem sentimentos. Soltei uma risada abafada.
Assim o filme começou. De tempos em tempos acabávamos conversando, sobre as cenas ou os efeitos especiais, e em alguns casos os foras de produção. Isso não quer dizer que sejamos amigos, ou coisa parecida. Foi apenas uma coincidência, certo? Certo. Estávamos apenas conversando coisas do filme. Coisa que poderia ser feita com qualquer pessoa que puxasse conversa.
Depois que o filme acabou, Yoshito me convidou para ir no Burguer King, por sua conta. Peço desculpas a mim e meu ego, mas eu não recuso ir no BK. Ele é uma das poucas pessoas que eu conheço que prefere BK a McDonald's. Enquanto comíamos, conversávamos sobre o filme. Era realmente bom, superou nossas expectativas. Estava tudo indo bem, era apenas um encontro de conhecidos provocado por uma peça que o destino pregou. Até que ouvimos, o som de um celular perto de nós tirando uma foto. Me virei rapidamente, era Mao.
-Então me largou para ficar com Atsushi-Sensei, Ken? Não sabia que era a favor da pedofilia. -Ela disse, debochada, como fui me apaixonar por essa víbora? Eu devo ser muito trouxa mesmo hein? Obrigado por sempre me foder coração, também te adoro. Agora eu me ferrei. Quando mulher quer ferrar um homem, sabe como fazer isso. -Seria uma pena se essa foto parasse no mural de aviso da faculdade, não é mesmo? -Gelei. Fiz um olhar que queria dizer "Você não faria isso", porque por mais que eu explicasse se ela o fizesse, ninguém iria acreditar. -Isso é ainda melhor que revelar o seu segredo, sr. Hermafrodita. Bom, aproveitem o lanche, pombinhos. -Falou isso e se foi.
Eu e Atsushi ficamos nos olhando, pasmos. Tentei buscar uma solução. Se eu falasse que foi uma coincidência ainda poderia deixar dúvidas, e ela poderia falar do meu segredo, o que na realidade é o mínimo dos problemas aqui. Se eu dissesse que estava em um encontro, vou causar problemas para Yoshito e meu status será rebaixado. Se disser que nós tínhamos combinado de sair como amigos, achariam estranho. Cheguei apenas a um pensamento.
-Fodeu. -Disse minha conclusão final, após algum tempo pensando.
-Vamos dizer que isso foi uma coincidência. -Acho que ele chegou a mesma conclusão que tive no início, afinal sempre tivemos um raciocínio rápido. -Se ela falar seu segredo, pode ser tachada de mentirosa se nenhum dos seus amigos abrir o bico.
-Isso é verdade, mas mesmo assim você sairia machucado, tenho certeza disso. Você não sabe o quanto mulheres podem ser sinistras quando colocam um homem no seu pedestal pessoal. Você pode ser motivo de chacota, e até mesmo virar um saco de pancadas.
-Não se preocupe comigo, vamos fazer isso.
Nenhum de nós conseguiu terminar o lanche, o bom é que faltava pouco. Nos despedimos na frente do shopping, ele foi para a casa de táxi. Cheguei em casa, nove horas da noite. Tinha de dormir. Amanhã seria um longo dia.
Talvez, um recomeço? Poderíamos ser amigos?

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